Já alguma vez, vocês homens
Se interrogaram ou colocaram a questão
Porque motivo é a flor
Tamanho símbolo de amor?
Que espécie de razão
Persiste e justifica seu desmesurado valor?
Que prazer, que sensação
Está na origem desta verdade?
Que justificações para esta realidade!
Porque se pensarmos racionalmente
Estão oferecendo um ser morto e prostrado
Que por amor ou capricho eventualmente
Foi por vós assassinado!
A verdade é que por um momento de felicidade
Por um gesto, por um presente
Estão tirando a um ser, a um ente
A sua única oportunidade
De viver neste mundo transeunte…
E embora não falando, nem comunicando
A verdade é que são fundamentais
Pois caladas vão demonstrando
Mais sabedoria que muitos mortais
Que se dizem ao mundo, se vão apresentando
Como únicos animais
Racionais!
Pureza, simplicidade
É na flor, que vive na verdade!
Em nós, seres que nos aborrecemos
Perdeu-se a magia de um momento
Em que não pensemos…
Deixando falar só o sentimento.
Não querendo admitir
A verdade é que vivemos numa prisão
Onde o verdadeiro sentir
Foi devorado pela racionalização!
E quanto mais inteligente
Quanto mais homem se considera
Mais longínqua e ausente
É a possibilidade de regredir a essa esfera!
Esse lugar onde a felicidade
É composta pela ignorância
E onde todos temos vontade
De regressar à nossa infância!!!
Onde sorriamos e isso era vulgar
Pois alegria era a nossa realidade
Estávamos passando ao homem sendo ainda animal
Perdeu-se o sorriso de ingenuidade
Recebemos em troca a racionalidade
Surge um novo bom mundo, este contudo menos emocional!
Vivo, modifico-me, cresço, surpreendo-me
Só quero no fim, se existir
Olhar para trás, ver-me e ser eu
Não me arrepender do que lá vir
Ser feliz e concretizada
Para ao outro mundo ir
Com a sensação de missão terminada!
Não fazer… adiar
É uma péssima opção
Não agir… recuar
É ter medo de arriscar
É à vida dizer não
É fugir discretamente
E na circunspecção
Procurar refúgio eternamente!
Arrisquem,
Falhem
É isso viver
É isso aprender
É isso crescer
E a nossa única função
O único motivo porque nascemos
Foi para enfrentar a decisão
E escolher, nesse momento, se vivemos
Descobrindo nessa paixão
Os recantos que não conhecemos
Ou se seguimos com precaução
Pelo atalho que sabemos
Pelo caminho conhecido de antemão.
Cabe a cada um olhar ao espelho
E reconhecer nele o trajecto escolhido
Só depois o conselho
Poder-lhe-á ser definido!
Não por outro ser exterior
Mas pela sua própria consciência
Só o nosso ruído interior
Pode aconselhar a nossa existência!
Ainda que posamos ser ajudados
Ainda que oiçamos outras opiniões
São para nós sempre reservados
Os momentos de verdadeiras decisões!
Tão bom conhecer este poder
E tão intrigante pensar no seu significado
Dá-nos a possibilidade de perceber
O quão incerto pode ser o resultado
Do seu uso aquando desse nosso escolher!
Júbilo, amor, tristeza
Uma autêntica confusão de sensações
Frustração, confiança, certeza
Que interminável lista de emoções…
Da incompatibilidade destes sentimentos
Podemos compreender o verdadeiro valor
Presente, em nós, em todos os momentos
Desta capacidade e de todo o seu esplendor!
Joana Júdice