Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

O amor (22/01/08 – Ás 4 e muitos da manhã)

O amor é um lugar estranho
Uma inquietação
Uma desilusão
Onde me entranho!
Uma ansiedade, uma preocupação…


O querer – sempre que nunca tem fim
A não – satisfação permanente
É um exigir, sempre mais, dos outros e de mim
Desgastante, cansativo e deprimente…


Sento-me, estou desconfortável,
Talvez deitada…
Quero tentar ser razoável
Mas desisto… nada resulta, NADA!


Conformada com a situação
A mão esconde-me enquanto choro
Um choro baixinho e em vão
Talvez o amor não saiba ainda onde moro!


Enfim… Será que nunca me vou apaixonar?
Ou será daqui a poucos meses?
Entretenho-me assim a pensar
Uma, duas, infinitas vezes!

Joana Júdice

(Uma rosa…13/12/07)

Já alguma vez, vocês homens
Se interrogaram ou colocaram a questão
Porque motivo é a flor
Tamanho símbolo de amor?
Que espécie de razão
Persiste e justifica seu desmesurado valor?
Que prazer, que sensação
Está na origem desta verdade?
Que justificações para esta realidade!


Porque se pensarmos racionalmente
Estão oferecendo um ser morto e prostrado
Que por amor ou capricho eventualmente
Foi por vós assassinado!


A verdade é que por um momento de felicidade
Por um gesto, por um presente
Estão tirando a um ser, a um ente
A sua única oportunidade
De viver neste mundo transeunte…


E embora não falando, nem comunicando
A verdade é que são fundamentais
Pois caladas vão demonstrando
Mais sabedoria que muitos mortais
Que se dizem ao mundo, se vão apresentando
Como únicos animais
Racionais!


Pureza, simplicidade
É na flor, que vive na verdade!


Em nós, seres que nos aborrecemos
Perdeu-se a magia de um momento
Em que não pensemos…
Deixando falar só o sentimento.


Não querendo admitir
A verdade é que vivemos numa prisão
Onde o verdadeiro sentir
Foi devorado pela racionalização!
E quanto mais inteligente
Quanto mais homem se considera
Mais longínqua e ausente
É a possibilidade de regredir a essa esfera!


Esse lugar onde a felicidade
É composta pela ignorância
E onde todos temos vontade
De regressar à nossa infância!!!


Onde sorriamos e isso era vulgar
Pois alegria era a nossa realidade
Estávamos passando ao homem sendo ainda animal
Perdeu-se o sorriso de ingenuidade
Recebemos em troca a racionalidade
Surge um novo bom mundo, este contudo menos emocional!


Vivo, modifico-me, cresço, surpreendo-me
Só quero no fim, se existir
Olhar para trás, ver-me e ser eu
Não me arrepender do que lá vir
Ser feliz e concretizada
Para ao outro mundo ir
Com a sensação de missão terminada!


Não fazer… adiar
É uma péssima opção
Não agir… recuar
É ter medo de arriscar
É à vida dizer não
É fugir discretamente
E na circunspecção
Procurar refúgio eternamente!


Arrisquem,
Falhem
É isso viver
É isso aprender
É isso crescer
E a nossa única função
O único motivo porque nascemos
Foi para enfrentar a decisão
E escolher, nesse momento, se vivemos
Descobrindo nessa paixão
Os recantos que não conhecemos
Ou se seguimos com precaução
Pelo atalho que sabemos
Pelo caminho conhecido de antemão.


Cabe a cada um olhar ao espelho
E reconhecer nele o trajecto escolhido
Só depois o conselho
Poder-lhe-á ser definido!


Não por outro ser exterior
Mas pela sua própria consciência
Só o nosso ruído interior
Pode aconselhar a nossa existência!


Ainda que posamos ser ajudados
Ainda que oiçamos outras opiniões
São para nós sempre reservados
Os momentos de verdadeiras decisões!


Tão bom conhecer este poder
E tão intrigante pensar no seu significado
Dá-nos a possibilidade de perceber
O quão incerto pode ser o resultado
Do seu uso aquando desse nosso escolher!


Júbilo, amor, tristeza
Uma autêntica confusão de sensações
Frustração, confiança, certeza
Que interminável lista de emoções…


Da incompatibilidade destes sentimentos
Podemos compreender o verdadeiro valor
Presente, em nós, em todos os momentos
Desta capacidade e de todo o seu esplendor!

Joana Júdice

Confusão mental (11/02/07 – 18:30)

O que é ser? Existir? Estar?
Descartes responderia
Que existir é pensar…
E quem existiria
Sem ser e sem estar?


Se pensar pressupõe existir,
E se existir pressupõe ser
Então falta só definir
Sendo, existindo, o que é estar!?


Escrevendo este discurso
Formulo algum pensamento, obrigatoriamente
Portanto em último recurso
Sem saber o quê, sou algo existente…


Posso negar se existo assim
Baixinha, aloirada e morena
Posso negar tudo em mim
E na minha experiência terrena!


Mas o que sobrevive a todas as incertezas,
A todas as dúvidas e imprecisões
Ainda que derrube todas as minhas firmezas
É a segurança de que sou algo com questões!


E quem questiona, pensa
E se pensa existe,
Se existe é!!!
O quê?
Como?
Porquê?
Não sei…


Mas o mais intrigante
E complicado definir!
É “estar”! … tornando errante
E ambíguo o existir!


Pois a existência
É sempre verdadeira e real
Contudo a nossa vivência
Pode não ser física, existente ou material…


A amizade é a partilha plena
E indiferenciada
De todas as emoções da mais pequena:
Uma gargalhada
A mais complexa e totalizante:
A presença continua e constante!


Quando ordenamos este raciocínio
Compreendemos melhor
O verdadeiro declínio
Do “estar” restrito sobre o “ser” superior…


E, terminando aqui
A minha dissertação
Leio de novo tudo o que escrevi
Existo e sou é a minha conclusão!
Mas estou ou não?


Creio que a resposta final
A esta questão
Construo em mim, ser individual
E na circulante multidão
Com que me relaciono, ser comunicacional!

Joana Júdice

(Eu… narcisa? - 11/02/07 – 15:30)

No espelho, definida
Vejo-me… sou eu?
A imagem reflectida
É, realmente semelhante… serei eu?


Os contornos…traçados igualmente!
A composição de minha cara
É a mesma. Contudo algo diferente
Surge, tornando rara
A minha pessoa presente!


Gosto de me ver, é verdade
Serei narcisista?
Não sei se convencida? Se realista?
Sei contudo que só assim sei ser…
Assim vivo, sou feliz
Naquela imagem sou actriz…


Represento o que sou
E o que desejo ser
E entre um e outro, estou
Com a minha imagem a renascer!


Nela encontro as forças
Que muitos buscam noutro lugar
Amando-me, busco amar
Os que me rodeiam diariamente
E partilham neste lugar
A esperança de se encontrar
Na confusão de cada ente!


Sorrio e vejo-me sorrir
Fico duplamente contente
Vendo uma companhia alegre surgir
Ainda que, contudo, seja eu somente!


Sou só uma, duas ou mais?
Estou em mim encontrada
Ou perdida, nos plurais???

Joana Júdice

O mar (12/12/07 – 0:54)

O mar jubila
Clama por mim
Desejo apoderar-me de sua espuma
Navegar nele até ao fim…


Descobrir nesse horizonte
Que nem imagino onde seja
Talvez nem exista nesta galáxia
Talvez nunca nesta vida o veja!


Desejo também encontrar no arco-íris
O seu ilusório final
Que desde criança sonho e imagino
Como será seu lugar irreal?


Embora não alcance estas imaginações
Que em mim crescem e tomam rosto
Em cada onda surfada, encontro sensações
Que me dão tamanho prazer e gosto


O momento do drop é indescritível
A adrenalina apodera-se das nossas veias e artérias
Observo a onda… a sua perfeição incrível
A irrealidade torna-se possível
Sinto-me livre…sinto-me em férias!!!

Joana Júdice

O mar (11/11/07 – 18:30)

Pé ante pé,
Vou entrando,
Primeiro a fé…
E tudo vai conquistando!


A força, a vontade,
Tudo isso é primário,
Pois quando se torna realidade,
Estamos vivendo o imaginário,
Estamos vivendo ao contrário!


O corpo estamos despindo,
E nessa nudez
Vem surgindo,
Com tamanha lucidez,
Aquilo que temos de mais lindo!


A pureza,
A transparência,
A sabedoria e nessa beleza
A verdadeira irreverência!


Mergulha nu e liberto,
Na sensualidade da frescura,
Aí nesse lugar incerto,
Encontrarás a tua bravura.


Mar que tudo isto me ensinas,
E contudo nem sabes falar
Tamanha sabedoria tu dominas
Que me basta para ti olhar
E tudo isto é óbvio como amar!!!

Joana Júdice

O mar (8/11/07 – Ás tantas da manhã!)

Sentada na areia,
Aprecio em cada onda o seu embater,
Sinto o sal correr-me na veia,
Sei que em cada fim existe um nascer!


Sou a espuma branca,
Que as pedras sabe embalar
Sou um barco a navegar,
Sou a sua retranca…
Sou a âncora que o faz parar!
Sou a onda, a espuma branca,
Tudo aquilo que nasce e morre no mar!


Sou a fé,
A coragem,
Levanto-me e ponho-me em pé,
Que prazer sentir esta aragem…


Mergulho sou agora a conchinha,
Eu danço ao som do arpão,
Navego sem medo pela tardinha,
Quero encontrar o meu coração…


Sentada na areia,
Ou no mar a sonhar?...
Serei mulher ou sereia?
Sou eternamente a menina do mar!!!

Joana Júdice

O mar (8/11/07 – Ás tantas da manhã!)

É de madrugada,
A vila está adormecida,
Depois de uma grande noitada,
Eis o recomeço, eis a vida!



São seis da manhã… do longe perto que melodia,
As ondas chamam-me com carinho,
Fui lá fora ver o que ouvia…
Acordando devagarinho.
Pensei estar a sonhar! E afinal vivia…



E nesse breve instante,
Foi tudo tão puro e ideal,
Recebi em cada onda o bastante,
Para desejar viver eternamente de forma irreal!

Joana Júdice

(24/01/08 – Aula de Teoria)

Quando um dia eu olhar
Quero no deslumbre descobrir
Que vale a pena sonhar
Mesmo quando não estou a dormir!
Mas quero acreditar
Que não é sonho o que estou a sentir.


Sonhando, querendo como uma flor,
Descubro novas nuvens pairando sobre mim
Descubro, ainda um novo esplendor
Do sol que nasce sem nunca ter fim…
Sim!!!
Eu quero descobrir esse amor!


Esse parapeito onde mora a avenida
Onde descansas e procuras, serena
O olhar perante a vida
Essa vida sossegada e pequena…


Efémera demais para um só amor
Efémera demais para te encontrar
Por isso vivo, agora, com fulgor
Cada momento! Sem certezas de amanhã aqui estar
Sem certezas de encontrar esse esplendor!


Sei que vivo,
Sei que sinto,
Sei que quero
Sei que não minto…

Joana Júdice

(22/01/08 – 4 da manhã)

Hoje falta um mês para o meu aniversário
Constato, com surpresa, que já vêm 19 aninhos,
O tempo passa e eu não estou a correr
Passiva e calma, percorro os caminhos!


Disseram-me um dia “a vida é um carrossel”
Sem dúvida que é bastante agitada
Eu diria, contudo, que é um papel
A folha branca por escrever
A obra, sempre, inacabada
A linha do livro ainda por escrever.


Hoje deito-me com uma certeza
Amanhã acordarei num novo recomeçar
Porquê, como, que farei? Na resposta está a beleza
A aventura de cada dia, a descoberta em cada olhar…


Em cada sentir,
Em cada novidade
Hoje vou dormir
Amanhã a verdade…

Joana Júdice

(22/01/08 – Antes de adormecer)

Quando olho atenta
E direcciono esse olhar
Não é o objecto que me orienta
É uma voz oculta que não cessa de me chamar!


Vem, ligeira,
Pé ante pé segredar-me ao ouvido
Arranjando sempre uma nova maneira
De conquistar o meu sexto sentido!


Porque, pensemos o que há de fascinante
Numa flor que aflora sorrindo?
Será a sua beleza estonteante?
Ou tudo o que nela nasce sem ter vindo?


Descobrimos em tudo o que nos rodeia
Uma outra realidade submersa e espelhada
Compreendemos então, o quão feia
É a primeira representada…

Joana Júdice

(22/01/08 – Antes de adormecer)

Abri a janela… conhecimento,
Saber e saber olhava-me sorrindo,
Respirei fundo cada momento,
Apaixonei-me pela vida e fui seguindo!

Joana Júdice

(08/01/08 – Aula de teoria (10:30))

Quando olho para os outros
Esses que me rodeiam
Que comigo comunicam…
Não os vejo, não os distingo!


São, para mim, todos um mesmo conjunto
Que interfere comigo
Sem, contudo, entrar no meu mundo.
Quero fazê-los chegar a mim… mas não consigo!


Quero prestar atenção
Despertar do aturdimento
Mas no meu coração
Não é esse o sentimento.


Cada vez mais fechado
Vai-se diluindo no mundo
Sinto-o afastado
Perdido lá no fundo!


Quero renascer
Pára de chorar!!!
Não me grites… deixa-me viver
Talvez esteja agora a acordar…


Será que posso acreditar
Que tudo isto é a adolescência?
Que a autonomia e a independência
Estão, agora, em mim a se adaptar?


Será próprio desta fase da vida
Esta luta constante?
Será que o que a caracteriza
É esta incerteza predominante?


Talvez um dia chegue a conclusões
Pense neste dia e ria à gargalhada
Enquanto espero aprendo as lições
Como uma menina imaculada!

Joana Júdice

(Olhem que coisa mais linda… 13/12/07 – 23:49)

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
E quando ela é vinda
Vem e chega com raça
É coisa que não finda
É coisa que passa
Deixando ainda
Um jeito que embaraça
Nos faz escolher
Por onde caminhar
E nos faz desejar
Possuir e querer!


Vem trazendo coragem
Ao moço e menina
Que estão de passagem
Nessa sua vida pequenina
Que cresce e se torna infinita viagem!


Essa coisa linda
Que nos visita e vem surpreender
É a doce e eterna menina
À qual resolveram chamar viver!


Por isso caminho na rua a cantarolar
Olhem que coisa mais linda mais cheia de graça
Aqui não é a mulher que vai a passar
É, a vida, riqueza escassa
É, a vida, a possibilidade de amar!

Joana Júdice

(12/12/07 – 0:03)

Era uma manhã de Inverno especial
O nevoeiro nasceu forte e consistente
E foi nessa aura matinal
Que despertei para o novo dia alegremente!


Olhei pela janela,
Atravessando o nevoeiro por um buraquinho
Surgia como uma vela
Esse raio de luz levezinho!


A magia nascia em cada suspiro
Que o vento murmurava baixinho
Atenta ao renascer, eu admiro
Na natureza
Essa sua subtileza
De um saber que surge devagarinho
Formando uma certeza
Uma realidade
Que urge em nós e deixa saudade!


E em cada murmurar de uma flor
Em cada sorriso de um passarinho
Vemos crescer com genica e fulgor
A beleza de cada carinho!


Subitamente, a passarada
Surge, organizada, formando um coração
Naquela visão recebi apaixonada
A energia de uma verdadeira declaração!


Saltei da cama, cantarolei,
Senti-me capaz, de o mundo, governar
Senti-me amada, e encontrei
A chave que me ensinou a amar!


Não é assim tão complicado
É apenas necessário encontrar “o tal”
Mas quanto mais procurado
Menos ele se tornará real!


É bastante simples perceber
Se realmente existe paixão,
Mais complicado é compreender
Se é também amor ou não?


Contudo se nos olharmos com atenção
Facilmente descobrimos a verdade
Pois quando procuramos responder com a razão
Não estamos enamorados na realidade!


Quando saltamos na rua, cantamos…
Não pensando, pensamos
E com esse pensamento
Vem acalorando um sentimento
Que finda num sorriso… suspiramos
Sim… apaixonados
É neste momento
Que saltamos, corremos, gritamos
Na calmaria vivemos agitados
E na agitação frenética a paz encontramos
Acompanhados…
Sentimo-nos permanentemente realizados!


Um beijo, é suficiente
Uma festa faz-nos suar
O desejo é permanente
Todas as noites são noites de luar!


Todos os dias primavera
Todos os segundos, felicidade
Vivemos numa outra esfera
De permanente alegria e alacridade!

Joana Júdice

(A solidão…10/12/07 – 00:09)

Em frente ao computador apático
Converso através de um visor
A tecnologia atinge o seu esplendor
As letras falam, as imagens comunicam
E por entre este jogo radicam
Emoções, desejos enfim fulgor…




Estar sozinha hoje em dia é complicado
Acompanhada muitas vezes impossível
Contudo o pior, o mais desprezível
É sentir só, acompanhado…




Porque quem vive e se encontra
E nesse descobrir se sente desejado
Mesmo não estando fisicamente acompanhado
Está em mente descansado
E livre de usufruir dessa liberdade
Do seu espaço não partilhado!




O silêncio, a solidão
Nem sempre significam tristeza
Muitas vezes, fonte de inspiração
Só para os que acedem a essa riqueza!
E uma das chaves desse grande portão
É a posse de alguma certeza!
Não a capacidade de uma pequena decisão
Mas uma base que nos sustente com firmeza!


No liceu uma rapariga diferente
Que muitas horas passava escutando o vento
Dizia-me seriamente
Deixa-me só… eu gosto de estar ausente!


Pegava no seu bloco, na folha nua e vazia
Ouvia, olhava, sentia a aragem
Depois, com a caneta escrevia
O que aprendia da sua passagem
O que secretamente a natureza lhe dizia!


Nunca desvelou seus resguardos,
Pelas palavras soltava alguns sinais
Talvez os mais atentos, os mais ousados
Descobrissem nelas tudo o demais!!!



Nunca percebi sua insistência
Na solidão e na ausência
Agora escrevendo com mais atenção
Descubro nessa situação
Novos recantos da minha existência
Novos sentimentos do meu coração!

A capacidade de autonomia
E a de criação de um espaço individual
É desenvolvida desde a infantaria
E é uma virtude, uma capacidade intelectual!

Uma firmeza de espírito,
Uma competência essencial
Uma vantagem futura
Que se pode revelar mesmo fundamental!

Estar só é subjectivo
No meio do campo deserto
Posso sentir-me em fulgor comunicativo
Perdida na multidão
Dispersa no turbilhão
Estarei sempre acompanhada
Mas não poderei viver na solidão???!

Coração quente
Mente descansada
Solidão inexistente
Pois em espírito acompanhada…

Joana Júdice

(A loucura…09/12/07 – 01:29)

Todos nós, humanos
Temos a nossa porção de loucura
Viver, sentir
É por si uma tão complicada aventura
Sem esse escape por onde fugir
Ninguém a aguentaria com brandura!


Quem é o louco?
Quem consegue definir?!
São as consultas à tarde no psicólogo
Ou aqueles que lá nunca chegam a ir!


Quem chora, berra inconsciente…
Quem ri de forma descontrolada
Quem grita sozinho na rua agitada
Ou quem vive num silêncio permanente?...


Será o louco o que alucina?
Será esta nossa realidade
A verdadeira verdade
Que de noite e dia nos chacina?!


Será que eu vivo certezas
E que realmente decido minhas acções?
Ou serei marioneta de altezas
Que comigo brincam e me determinam as minhas decisões?!


Como saberei de minha autonomia
O que é meu e o que me está destinado?
São tantos os impulsos irrequietos
Fica difícil definir o que está ou não programado!


Posso viver… posso agir
Posso até sonhar que sou eu somente
Que caminho nesse meu descobrir
E que, autónoma, a minha mente
Decide por onde seguir!
Será que sou eu realmente?
Nunca saberei, nunca responderei…posso, talvez, sentir!


Contudo as lágrimas correm sem eu querer
Os pensamentos e as lembranças não sou eu que os escolho
Os sorrisos nascem sem eu perceber
E no meio disto pergunto…
Que parte em mim sou eu que estou a viver?

Joana Júdice

(30/10/07 – 18:30)

Estava triste, sentia-me incerta
Por amor, dúvida, surpresa?
Algo novo em mim desperta
Mas como descobrir essa nova beleza?


Sinto tudo a volta ruir
Mas subitamente nada mudou do seu lugar
Dou comigo a questionar
Tudo aquilo que sempre foi certo no meu existir!


O que de errado se passa comigo?
Num momento dou pulos de contentamento
Noutro logo seguido,
Choro lágrimas sem sentimento!


Lágrimas sem sentimento?!
Que estou eu a dizer?
Já nem sentido existe no meu pensamento!
Dou por mim e apetece-me desaparecer!


Depois volto decidida
O mundo quero conquistar
Quero sentir-me amada e querida
Quero amar…


Como é difícil caminhar
Sem nunca ponderar que rumo percorrer
Fugir, navegar
Como é difícil, simplesmente, viver!


As palavras são o meu ensejo
O papel em branco o meu confessor
Aqui sinto e desejo
Sem ter que chamar a isso amor!


Aqui tudo se enquadra
E ganha um novo sentido
Tudo se encaixa na perfeição
E parece ajudar o meu coração
A perceber o quanto ele é querido
Mesmo que na realidade
Nunca mude essa verdade!


Viver é assim
Algo sempre novo em mim…

Joana Júdice

(26/10/07 – Às tantas da manhã!)

Na cama, deitada, penso
Poder sonhar, poder querer
É, contudo, um contra-senso!
Alcanço o invisível
A claridade deixo de ver,
Creio que tudo é atingível…
Estou a atravessar o rio do saber
E ainda nem comecei a viver!

Ilusão, desejar e não agir, viver sem existir
Na escuridão, tudo isso é mais perceptível
No sonho, uma enganosa ilusão!
Não olho para o visível
Mas creio ser tudo realidade
E de olhos abertos espreitando a imaginação
Vejo o impossível
E creio estar vivendo uma verdade…

Sentir,
Viver,
Amar…

Sonhar,
Querer
Agir!

Joana Júdice

A Vida (25/10/07 – 23:15)

Pensemos contudo que é a vida?!
Uma flor, uma onda, um despertar
Uma dança talvez…
Porque não!
Será aí que reside a magia?! Será que é aí que devo procurar?
Nunca desisti sem tentar
Porque não?
Irei… chegue onde chegar!


Caminharei, dançando
Por vezes quero ser guiada
Por vezes desejo possuir o comando…
É isto a vida?


Sinto o ar acariciar-me fresco
E em cada brisa, em cada cheiro
Recebo a energia de um romanesco
E encantador canteiro…
É isto a vida?


Sinto o pé escorregar,
Tento, o corpo irreverente, controlar
Contudo uma energia superior
Parece saber melhor que caminho indicar
A esse corpo agora sem possuidor
Sem correspondência
Essa nova forma de independência
É isso a dança!
É isso a vida?


Deixar, em nós prevalecer, o animalesco?
Deixar o racional se redimir?
É isso sentir o ar fresco?
É isso sentir?
É isso a vida?


De manhã saio à rua
A cidade de Lisboa acordou
Está ainda nua
Não se vestiu, não se lavou!
Em cada bolo que passa começa o novo dia
Em cada revista pousada, um novo ciclo
Uma magia única nasce nessa avenida
Por que passo todos os dias…
É isto a vida?


É sempre o mesmo despertar
Mas nada nele persiste inalterável
Tudo se transforma, que permanente renovar
Amanhece de novo e quão mais adorável!!!
Os aromas, os ruídos, as conversas… tudo
Tudo, todos os dias, nasce de uma forma diferente
Não é maravilhosa esta renovante vertente
De que fazemos parte incondicionalmente!


É isto a vida???


Então eu quero viver
Eu quero sentir, dançar
Eu quero amanhecer
E em cada novo acordar
Numa flor reconhecer
E em mim despertar
Um espanto, um sorriso, um novo saber!


Eu quero cheirar o mar,
Ouvir o seu aroma
Como quem escuta um chilrear
Surgido de uma nova e invisível forma
Que apareceu e me fez sonhar!


Não preciso de explicações
Não preciso de certezas
Não preciso de definições
Viver é lidar com todas essas indeterminações…


Sento-me na areia incerta
Contemplo o mar…
Em cada desenrolar recebo inquieta
Tudo o que preciso de encontrar!


Viver, viver… jamais quero deixar de amar!
Amar a vida, amar o mar… amar viver!

Joana Júdice

A Vida (24/10/07 – 21:55)

Estou numa fase da minha vida
Em que tudo ganha um novo sentido
Aos poucos constrói-se uma nova saída
Um novo rumo, uma nova forma de estar
De ver, de olhar
Uma nova forma de sentir…
De redescobrir!
Fundamentalmente
Um novo olhar inquiridor nasce em mim
Tudo está por descobrir, tudo nasceu de forma diferente
Tudo me chama incessantemente
Para a maravilha que preside escondida
Nos recantos mais profundos
De uma realidade desconhecida!...
Nessa nova invisibilidade
Reside o génio que tanto procurei
Com o olhar de quem vive mas na verdade
Não sabe o que é a vida! Saberei???
Ninguém sabe… viver
É descobrir todos os dias um novo sinal
Uma nova forma de ser
E contudo afinal
Somos sempre o mesmo desde o nascer ao morrer!
Desde o amanhecer ao entardecer!

Somos, contudo, sempre o mesmo raio solar
Que surge energético, numa linha crescente
Para lá da Ásia, algures num lugar
Onde ninguém chega e todos desejamos alcançar!
Aquele raio que navega de nascente a poente
E incondicionalmente
Adormece sobre o mar!
Somos tudo isso e mais ainda
Somos a introdução, a peripécia
E como em todo o texto que finda
Uma conclusão!
E é sobre cada conclusão que nos devemos debruçar
E tentar concluir
Se se cumpriu o dever de quem caminha sem rumo onde chegar!
Será que um dia chegaremos ao final do arco-íris?
Será que aí o ouro brilhará…
Que ouro??? Um beijo? Uma carícia…
O que é para cada um de nós esse tal ouro???
Para mim… O mar!
Porque no fim
Depois de tudo mudar
Em mim
Algo permanece intacto no seu lugar!
Como te amo… oh Mar!

Joana Júdice

Divagações

Vou caminhando, atropelando a vida
Escorrendo como uma lágrima distinta
Ora de choro ora de alegria sentida!
Sonho que passo, e mesmo que minta
No sonho vivido não sei que sinta.

Parecendo fantasia ou devaneio
A vida vai se cumprindo…
Passo a passo, tornando-se fim e meio
Do sonho que comigo veio,
Nesse dia que surgi sorrindo!

Joana Júdice